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Pesquisa aponta queda na confiança dos advogados no Judiciário brasileiro

13/06/2014
Desde 2010 a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP realiza uma pesquisa para identificar o Índice de Confiança dos Advogados na Justiça (ICAJ/Fundace). Sete aspectos são avaliados: eficiência, morosidade, honestidade, facilidade de acesso, custo para a solução de litígios, falta de igualdade no tratamento das partes e perspectiva de futuro da Justiça.

Segundo avaliação da advogada e mestre em Direito Público, Sandra Krieger Gonçalves, de Blumenau (SC), a morosidade é a que mais contribuiu para a queda de confiança verificada em 2014, em relação aos dados de 2013. Sandra, que também integra a atual diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina (OAB-SC), aponta que a queda foi de pouco mais de 3%.

A nota final dos advogados para a Justiça brasileira – em uma escala que varia de 0 a 100 - foi 30,8, contra 31,9 no ano passado. Segundo os pesquisadores, este é o pior resultado desde 2011, quando a pesquisa começou a ser feita em nível nacional. O patamar registrado pelo estudo mantém o Judiciário brasileiro abaixo no nível de confiança, que é de 50 pontos.

A morosidade, explica Sandra, está atrelada ao excesso de processos por juiz e acaba gerando o maior grau de descontentamento. “A judicialização de toda e qualquer demanda, a desconfiança das partes na mediação e arbitragem, que seria uma forma de não levar os litígios à Justiça, e fatores como o crescente conhecimento do cidadão dos seus direitos, elevaram em muito o número de processos,” acrescenta.

A advogada também acredita que alguns setores da Justiça brasileira estão perdendo a sua função principal. “É o caso dos Juizados Especiais, que deveriam ter um rito mais célere e informal, acabaram se transformando em varas comuns”, finaliza.